Visita Pastoral na Paróquia de São João Batista de Assú é encerrada com reflexão sobre missão, conversão e cuidado com a vida

A Paróquia de São João Batista de Assú encerrou, neste domingo, a primeira Visita Pastoral realizada pela Diocese de Santa Luzia de Mossoró, em um momento marcado pela escuta, pelo encontro com as comunidades e pela reflexão sobre os caminhos da missão da Igreja. Durante os dias de programação, o Bispo Diocesano Dom Francisco de Sales esteve presente em diferentes setores e comunidades da paróquia, acompanhando de perto suas realidades, desafios, iniciativas pastorais e experiências de fé.

Um dos momentos centrais da programação aconteceu na manhã do último domingo, durante a plenária realizada no Educandário Nossa Senhora das Vitórias (ENSV), quando Dom Francisco conduziu uma reflexão sobre a identidade e a missão da Igreja diante dos desafios do tempo presente na sociedade. Ao falar sobre a Igreja, ele refletiu com a comunidade ao apresentar a imagem de uma tenda, destacando-a como uma casa de peregrinos: um espaço que acolhe, que possui uma estrutura, mas que também pode ser ajustado conforme as necessidades daqueles que caminham.

Cinco caminhos para a missão

Ao final desse momento, Dom Francisco trouxe o ensinamento de que a tenda, nesse sentido, pode ter suas cordas alargadas e ser redimensionada para acolher mais pessoas. Assim, a imagem apresentada recorda uma Igreja que não deve permanecer fechada em si mesma, mas que precisa estar disposta a ampliar seus espaços de acolhida e presença, mantendo aquilo que é essencial enquanto busca responder às diferentes realidades encontradas no caminho. Em suas palavras, o Bispo Diocesano trouxe também como ensinamento cinco caminhos fundamentais para a missão pastoral da Igreja.

Sendo o primeiro a animação bíblica da pastoral, reforçando a necessidade de manter a Palavra de Deus presente na vida e nas ações pastorais, pois a Escritura não deve ocupar um espaço secundário, mas ser fundamento da caminhada comunitária. Além disso, também foi destacada a necessidade de evitar um devocionismo mal direcionado, colocando a Palavra de Deus como alicerce da oração e da experiência de fé.

O segundo caminho apresentado foi a responsabilidade com a iniciação à vida cristã. Ele afirmou que a missão da Igreja passa pelo compromisso de acompanhar as pessoas em seu processo de encontro com Cristo e de amadurecimento da fé.

O terceiro caminho: a necessidade de formar uma comunidade de discípulos missionários, aqui a Igreja é chamada não apenas a reunir pessoas, mas a formar discípulos capazes de viver a fé e colocá-la em prática, assumindo a responsabilidade de anunciar e testemunhar o Evangelho.

O quarto caminho apresentado foi direcionado ao respeito e cuidado com a liturgia, evitando que ela se torne engessada ou excessivamente presa a pequenos detalhes. O bispo chamou a atenção para o risco de a comunidade se prender a pequenos erros e acabar esquecendo aquilo que é essencial na celebração. Da mesma forma, ele refletiu sobre a necessidade de evitar acrescentar à liturgia elementos que não pertencem a ela, preservando seu sentido e sua centralidade.

Por fim, o quinto caminho apresentado foi a responsabilidade de promover a vida plena para todos, porque a missão da Igreja passa necessariamente pelo compromisso com a vida humana em todas as suas dimensões, o que implica uma comunidade capaz de incluir, acolher e manter um olhar atento especialmente para aqueles que mais necessitam de cuidado, presença e solidariedade.

Uma Igreja chamada à conversão

O bispo destacou que para percorrer esses caminhos, é necessária uma atitude de conversão, acompanhada de coragem e disposição para mudar aquilo que precisa ser transformado. Em seguida, foram apresentados três horizontes de conversão. O primeiro sendo a conversão das relações, envolvendo tanto a relação com Deus quanto as relações dentro das próprias comunidades. O segundo horizonte: a conversão dos processos pastorais. O terceiro horizonte apresentado foi a conversão dos vínculos.

Ao longo da Visita Pastoral, a realidade da Paróquia de São João Batista foi apresentada e vivenciada a partir do encontro com diferentes comunidades, pastorais, movimentos, serviços e instituições. A visita se constituiu como uma oportunidade de escuta e de aproximação entre o bispo, os sacerdotes, os agentes de pastoral e o povo de Deus. Seu encerramento deixou além da memória dos encontros realizados e aprendizado, mas também reflexões sobre os desafios para o futuro. A imagem da Igreja como uma tenda recorda-nos que a comunidade possui raízes e uma história e que ela precisa permanecer ampliando seus espaços, acolhendo novas pessoas e respondendo aos desafios que vão surgindo ao longo do caminho.

Para a Paróquia de São João Batista de Assú, a primeira Visita Pastoral da Diocese de Santa Luzia de Mossoró representa um momento significativo de sua caminhada, especialmente no ano em que a comunidade paroquial celebra os seus 300 anos de história. A visita foi encerrada, mas os caminhos apontados permanecem como convite à comunidade para fortalecer a presença da Palavra de Deus, cuidar da iniciação cristã, formar discípulos missionários, valorizar a liturgia, promover a vida plena e assumir, com coragem e disposição, os processos de conversão necessários para que a Igreja continue sendo uma casa aberta, acolhedora e missionária.

Ranyele Silva (Licenciada em Letras) – Revisão

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